
Sentem uma ameaça. É melhor atacar. Palavras, atos,
comportamentos, crenças, valores, opiniões, factos... Tudo serve de munição. O alvo
parece tranquilo, ingénuo, alheio ao que se está a passar, desprevenido. O
melhor estado, o mais favorável ao inimigo. A contagem decrescente começa, o
momento de atirar aproxima-se cada vez mais, e o fator a abater continua nas
mesmas condições. O inimigo enche-se de júbilo e prazer: está prestes a
aniquilar de forma inequívoca o seu principal adversário. Três, dois, um.
Atiram. Começou o ataque, o alvo está a ser bombardeado e não pode fazer nada
para poder impedir que tal aconteça. Cai inanimado. Os seus oponentes viram
costas satisfeitos por a tarefa ter sido bem-sucedida. Enganaram-se. Por vezes,
a questão é deixá-los achar que são mais inteligentes, quando na verdade mais
de metade dos seus neurónios estão fora de serviço. Voltei a levantar-me. Sacudi
o pó e tratei dos ferimentos. Apesar de me terem atingido, não tiveram pontaria
suficiente para ferir o meu orgulho. Falharam em tentar fazê-lo, ele cresceu e
eles outrora pensaram que o iriam extinguir. Erros de cálculo. Défice de
inteligência. Falta de conhecimento do adversário, mas, sobretudo, das suas
capacidades.
Odeiem-me, odeiem-me e odeiem-me. Elevem esse ódio ao
expoente máximo que conseguirem. Força. Afinal, parece que ultimamente tem sido
a principal tarefa de uns quantos, e já que não são melhores que eu em mais
nada, pelos menos que sejam nisso: a odiar-me. Eu não sei bem ao certo quais
são as razões e, muito sinceramente, ficaria a achar esses seres vivos ainda
mais inferiores se as soubesse. Também existem aqueles que julgam que o que
pensam me afeta, que vivo de opiniões. Enganam-se outra vez.
Vermes, vermes em forma de humanos. Pragas e epidemias sob
forma de inveja. Doenças como a ignorância. Há que sobreviver a estes males,
mesmo sem medicamentos ou qualquer tipo de vacinas, males sem cura, males
afastados com o desprezo. Há que ver o ódio como uma forma muito peculiar de
amar, os olhares que não são diretos como medo que têm de destruir tal
preciosidade como eu.
Não posso exigir que todos gostem de mim da mesma maneira,
há quem o faça pela negação, outros porque me consideram uma ameaça. São
diferentes formas, diferentes motivos, se é que por vezes existem. Talvez seja
algo que só se resolva com uns abanões, mas acredito que já nem tenha remédio
ou qualquer tipo de antídoto. O que sabem eles de mim? Apenas o meu nome, e nem
sequer completo.