sábado, 7 de março de 2015

Afinal o que sabem eles de mim?



Sentem uma ameaça. É melhor atacar. Palavras, atos, comportamentos, crenças, valores, opiniões, factos... Tudo serve de munição. O alvo parece tranquilo, ingénuo, alheio ao que se está a passar, desprevenido. O melhor estado, o mais favorável ao inimigo. A contagem decrescente começa, o momento de atirar aproxima-se cada vez mais, e o fator a abater continua nas mesmas condições. O inimigo enche-se de júbilo e prazer: está prestes a aniquilar de forma inequívoca o seu principal adversário. Três, dois, um. Atiram. Começou o ataque, o alvo está a ser bombardeado e não pode fazer nada para poder impedir que tal aconteça. Cai inanimado. Os seus oponentes viram costas satisfeitos por a tarefa ter sido bem-sucedida. Enganaram-se. Por vezes, a questão é deixá-los achar que são mais inteligentes, quando na verdade mais de metade dos seus neurónios estão fora de serviço. Voltei a levantar-me. Sacudi o pó e tratei dos ferimentos. Apesar de me terem atingido, não tiveram pontaria suficiente para ferir o meu orgulho. Falharam em tentar fazê-lo, ele cresceu e eles outrora pensaram que o iriam extinguir. Erros de cálculo. Défice de inteligência. Falta de conhecimento do adversário, mas, sobretudo, das suas capacidades.
Odeiem-me, odeiem-me e odeiem-me. Elevem esse ódio ao expoente máximo que conseguirem. Força. Afinal, parece que ultimamente tem sido a principal tarefa de uns quantos, e já que não são melhores que eu em mais nada, pelos menos que sejam nisso: a odiar-me. Eu não sei bem ao certo quais são as razões e, muito sinceramente, ficaria a achar esses seres vivos ainda mais inferiores se as soubesse. Também existem aqueles que julgam que o que pensam me afeta, que vivo de opiniões. Enganam-se outra vez.
Vermes, vermes em forma de humanos. Pragas e epidemias sob forma de inveja. Doenças como a ignorância. Há que sobreviver a estes males, mesmo sem medicamentos ou qualquer tipo de vacinas, males sem cura, males afastados com o desprezo. Há que ver o ódio como uma forma muito peculiar de amar, os olhares que não são diretos como medo que têm de destruir tal preciosidade como eu.
 Não posso exigir que todos gostem de mim da mesma maneira, há quem o faça pela negação, outros porque me consideram uma ameaça. São diferentes formas, diferentes motivos, se é que por vezes existem. Talvez seja algo que só se resolva com uns abanões, mas acredito que já nem tenha remédio ou qualquer tipo de antídoto. O que sabem eles de mim? Apenas o meu nome, e nem sequer completo.

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