segunda-feira, 13 de abril de 2015
Adeus e sê bem vindo
O amor inunda-nos devagar, mas dizem que pode deixar-nos rapidamente. Aprendi o sabor da primavera e do chilrear dos pássaros no dia em que me ensinaste a melodia dos teus olhos e as histórias dos teus lábios. Oh, e que doces histórias essas que me contaste, de todas as vezes que me abraçaste e entrelaçaste os teus dedos nos meus. Foram tantas as vezes que me deixei adormecer fingindo que me aquecias com os braços e tantas outras em que a Lua nos aquentava os corações mergulhados no rio que eram os nossos corpos cansados. E eu tinha saudades do Sol e era quase borboletas poisadas numa pétala de rosa chorada antes de te encontrar. Já não me tenho, já não me sinto. Levaste-me, a mim e às mil canções que te cantei antes de adormeceres e beijares-me o peito em outras tantas noites dançadas.Sentei-me na estrada ao luar, no preciso momento em que tu desapareceste no céu enevoado e cinzento.
Deixaste-me na frieza de breves palavras escritas nas estrelas desta noite. E eu escutava a chuva cair e deixava-me cair com ela. Estava fria, fraca, pesarosa. As árvores tremiam a cada rajada de vento, as flores voavam, leves como penas, e a água inundava as ruas da cidade. Estava descalça e sem consolo, longe de mim e de ti, cada vez mais. Acendi um cigarro e cruzei as pernas, levantei-me e dancei, fi-lo como se não houvesse mais nada de grandioso nesta vida. Percorri toda a rua em piruetas repletas de angústia e em pliés há muito ensinados. Abracei-me e deslizei no chão molhado, como desertos que anseiam por uma gota de água. Cantei e despi-me naquela noite à medida que abraçava a dança como único consolo. Só parei quando vi a Lua sumir-se e vislumbrei o brilhante Sol que se instalava, agora, no conforto dos céus. Calcei-me e voltei a casa alquebrada, exausta. Agora sorridente e sem vestígios de lágrimas deixadas cair ao som de poemas escritos pelos céus. E dancei, porque dançar é o fogo nestas noites mórbidas.
Agora tanto tenho a agradecer-te, por uma união que nunca se quebrou, por um pedaço de mim que nunca me deixou e que por mais que tenha ido, ficou e melhorou.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário